Caneta AtivaBaixar o app

Por que o Caneta Ativa existe.

Durante meses, eu fui o lembrete.

Alguém que eu amo estava em tratamento, e a rotina era muito maior do que uma aplicação por semana. Tinha o dia certo, o horário, a água, a alimentação, o movimento, o descanso. Eu lembrava de tudo isso. Perguntava, conferia, insistia.

Os números até existiam. O peso era dito em voz alta, às vezes mandado por mensagem, às vezes fotografado na balança. Muitas vezes ficava só na memória de nós dois.

E então, na semana seguinte:

— Você perdeu quanto mesmo?
— Não lembro direito.

As informações existiam. Nunca estavam juntas. E toda semana a gente recomeçava praticamente do zero.

Não faltavam ferramentas

A gente tentou. Usamos as anotações do celular por um tempo. Pensamos em planilhas. Procuramos aplicativos feitos para acompanhar tratamento, e encontramos vários — bons, inclusive.

O problema era outro. Um servia para o peso. Outro para os lembretes. Outro para os hábitos. Cada um fazia bem a sua parte, e nenhum reunia o conjunto.

Manter aquilo de pé exigia alimentar quatro ou cinco lugares diferentes, todo dia, sem falhar. Em algum momento a gente falhava. Depois abandonava.

E voltava para o único sistema que estava sempre disponível: a minha memória.

A pergunta que não ia embora

Com o tempo, comecei a estudar o assunto por conta própria. Li relatos, assisti vídeos, entrei em comunidades de pessoas em tratamento.

E descobri que aquilo não era um problema da nossa casa. Era o normal.

Não houve um dia em que eu decidi construir um aplicativo. Não teve estalo, não teve decisão. Teve uma pergunta que simplesmente não ia embora:

Por que ninguém reuniu tudo isso em um único lugar, de uma forma simples?

Ela ficou comigo por semanas. Depois por meses. Até que começar a construir passou a parecer mais natural do que continuar apenas pensando nela.

O aplicativo que não foi construído

Para quem viveu o que eu vivi, o aplicativo óbvio seria outro.

Seria uma ferramenta para eu acompanhar a rotina de outra pessoa. Um painel para quem cuida. Um jeito de conferir se a dose foi aplicada, se a água foi bebida, se o dia foi cumprido.

Esse aplicativo não foi construído. E a razão é a única coisa que eu sabia melhor do que qualquer pesquisa poderia me ensinar.

Eu estava do lado de quem lembrava. Mesmo fazendo aquilo por cuidado, eu sabia exatamente como era do outro lado: ninguém gosta de ser lembrado o tempo todo daquilo que deveria estar fazendo. Nem quando vem de quem ama.

Então o Caneta Ativa faz tudo o que eu fazia. Lembra o dia da aplicação. Pergunta da água. Guarda o peso. Mostra a evolução que ninguém conseguia enxergar sozinho.

Tudo, menos uma coisa: ele não ocupa o meu lugar.

Ele faz o trabalho sem ser o cobrador.

Em algum momento, isso deixou de ser sobre uma casa.

Quanto mais eu conversava com quem estava em tratamento, mais ficava claro que a dificuldade era a mesma em todo lugar. Informação espalhada, esforço real, e nenhuma resposta clara para a pergunta mais simples de todas — está funcionando?

A partir daí, o projeto deixou de ser meu.

O Caneta Ativa não existe para contar a história de quem o criou. Ele existe para que ninguém precise de outra pessoa lembrando por si.

Cada decisão do produto — o que entra, o que fica de fora e, principalmente, o que ele nunca vai fazer — passa por essa pergunta antes de qualquer outra.

No começo desta história, duas pessoas atentas e esforçadas não conseguiam responder a uma pergunta simples: está funcionando?

Se o Caneta Ativa fizer bem o seu trabalho, é essa a diferença que fica.

Deixar de apenas seguir um tratamento e passar a entendê-lo.